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Redes de conhecimento

Atualizado: Jun 4

A pandemia do coronavírus desafia o mundo e ainda é difícil estimar o impacto que terá em nossas vidas até ser controlada. A doença se espalha invisível além de fronteiras e deixa em segundo plano projetos pessoais, negócios e convicções, para nos apoiarmos no trabalho dos cientistas, médicos e sanitaristas. A única certeza que temos hoje é que a saída está na ciência, no conhecimento e nas redes de conhecimento que construímos.


O crescimento dos movimentos conservadores, em todo mundo, com o surgimento de líderes populistas como Trump, Putin, Orban, Endorgan e Bolsonaro, se apoiou em grande medida numa onda de contestação dos valores estabelecidos. Como o constante questionamento de instituições, como Congresso, Justiça, Universidades e Imprensa, atacados numa estratégia de desacreditar o saber constituído. Funcionou nos últimos anos, com a sustentação de uma realidade paralela nas redes sociais.


A ameaça do coronavírus, no entanto, impõe a todos o confronto com a realidade, e a realidade é que a doença pode custar milhões de vidas em todo o planeta, milhares no nosso país e uma ameaça enorme às nossas atividades econômicas. O risco é muito grande para ficarmos reféns de notícias falsas. Neste momento, a ciência se revela nosso melhor abrigo. É através do trabalho dos cientistas que vamos entender a ação do vírus, como se espalha, como atua no nosso corpo, como é o tratamento... E caminhar para descobrir padrões, remédios, vacinas. Não há espaço para fake news. Temos que valorizar nossas redes de conhecimento, tão atacadas nos últimos tempos.


Mas que redes são essas? São formadas pelas instituições que baseiam seu trabalho na pesquisa e na ciência, além de crenças políticas (e religiosas). As universidades, centros de pesquisa, laboratórios, institutos de desenvolvimento, organizações de classe, publicações científicas, órgãos de imprensa e ações de cidadania.


A crença na ciência não nos afasta da solução do problema, cada um de nós, como indivíduos. Nós exercemos um papel social. Temos uma enorme responsabilidade em nosso ambiente social, na família, na escola, no

condomínio, no trabalho, na igreja. Precisamos ter consciência de que o que fazemos vai definir as escolhas da Sociedade. Precisamos ser confiáveis. Precisamos cuidar de não propagar informações falsas.


Essa compreensão começa a aparecer. Jornais e noticiários de TV, a Imprensa, recupera na crise o seu papel social. São os meios mais confiáveis para nos informarmos. As redes sociais, depois do protagonismo nos últimos anos, contaminadas por estratégias baseadas na difamação e na mentira e no trabalho de robôs, apresentaram baixo índice de confiabilidade. Nas pesquisas realizadas após a pandemia.


O Rio, talvez mais que outros estados, tem uma enorme vantagem quando se fala em conhecimento. É a cidade que reúne o maior número de universidades federais, universidades privadas de alto nível, entidades de classe, centros de pesquisa, laboratórios de ponta. O maior marco das políticas sanitárias e epidemiológicas está aqui, a Fiocruz. Tem instituições fortes, como ABI, OAB, Instituto dos Arquitetos do Brasil, museus, centros culturais relevantes. Tem empresas e dirigentes com forte crença na responsabilidade social. Tem multinacionais em diversas áreas de atuação. Tem uma população com grau elevado de escolaridade, muitos com mestrado e doutorado e conectados com os centros mais avançados do mundo.


Temos que valorizar o conhecimento. Assumir nossas convicções e contestar cada ação, cada iniciativa, cada post que nos negue o caminho da crença na ciência e da recuperação da cidade. E trabalhar de forma solidária para sair desta crise. Assim, protegeremos nossa rede de conhecimento, construiremos uma sociedade forte e retomaremos nossa cidade maravilhosa.


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