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Moda: Inclusão, ética e sustentabilidade

Após anos de pesquisa, estilista descobre como a moda pode ser acessível a todos.


*Beatriz Aguiar


Na última terça-feira (21), o cRio ESPM realizou uma live em seu Instagram sobre as NOVAS FACES DA MODA: INCLUSÃO, ÉTICA E SUSTENTABILIDADE. Comandada pela professora e pesquisadora do Laboratório de Pesquisa e Práticas sustentáveis da ESPM-Rio, Lilyan Berlim recebeu a estilista Silvana Louro, criadora da Equal Moda Inclusiva, para falar sobre como o mundo da moda pode ser adaptado para pessoas com deficiência.


A marca criada por Silvana nasceu após a estilista participar de um trabalho voluntário em 2011 com paratletas. Ao começar a entender as dificuldades que os paratletas enfrentavam propôs, ao coordenador do projeto, produzir uniformes que se adequassem às necessidades dos atletas. Após muitas pesquisas, conseguiu desenvolver o primeiro uniforme paralímpico do mundo. “Nunca ninguém tinha pensado nessa possibilidade do paratleta e depois disso nunca mais parei”, explica Silvana.


A moda é uma expressão individual e coletiva, com manifestação de identidade e personalidade, que sempre trabalhou com a visibilidade, por meio de revistas, sites, branding e etc. Dessa forma, Lilyan abordou como dentro da sociedade em geral existe uma invisibilidade que a moda acabou refletindo. “Historicamente falando, a pessoa com deficiência sempre foi isolada. Ela era aquela pessoa que a família não queria mostrar pra sociedade. Então, todas as situações históricas, políticas e sociais, refletem na moda” complementa Silvana.

Ao longo da conversa, Lilyan e Silvana abordaram questões como o método em que o deficiente físico consegue comprar suas roupas. “As pessoas com deficiência não tem essa experiência de compra, pelo menos não da opção de escolha” afirma Louro. A partir dessa questão, a estilista explicou a diferença que existe nas vestes de uma pessoa com deficiência, quais são as formas de tornar o ato de se vestir em algo mais prático e confortável para quem precisa e como ela faz para que possa atender as necessidades de cada deficiente, muitas vezes, otimizando uma mesma peça.


Além de estilista e empreendedora, Silvana também dá aulas em um curso gratuito de moda inclusiva em São Paulo, fornecido pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPCD), que inclui modelistas, pessoas especializadas em mercado, desenvolvimento de produto e no qual pessoas do Brasil inteiro podem se inscrever. De acordo com ela, há uma troca interessante, uma vez que, a Secretaria tem poder de articulação com a mídia, o que facilita seu acesso a nomes importantes do mundo da moda no sentido de abordarem a temática gerando força para o movimento.


Louro conta também que desenvolveu etiquetas em Braile, para ajudar pessoas que possuem deficiência visual, e ímãs nas roupas, para facilitar o processo de vestimenta de pessoas com problemas motores. Primeiramente, ela explicou como foi o processo para chegar a forma adequada de uma etiqueta escrita em Braile e quais as informações que são relevantes de serem escritas. Para isso, ela informou que contou com a ajuda do Instituto Benjamin Constant e da Associação Fluminense de Amparo aos Cegos (AFAC) para a aprovação do produto. Foram desenvolvidos pelo menos dois modelos até chegar a conclusão da etiqueta em silicone. Ao falar sobre os ímãs, ela explica que são laváveis e são confeccionados para ocuparem os lugares dos botões, facilitando assim o processo de abotoar uma camisa, para quem tem problemas nos movimentos.


Chegando perto do fim da live, Lilyan aborda a questão sobre ser deprimente estar nesse ramo, como foi comentado algumas vezes durante a conversa, e como as pessoas veem o deficiente como incapaz de usar roupas da moda ou, como usado de exemplo, indo a blocos de carnaval. “Hoje ninguém mais me fala que a roupa é deprimente, mas as lojas físicas que busquei para vender minhas roupas, em Niterói mesmo, disseram que não queriam cadeirantes pois iria ocupar muito espaço” informa Louro.


Para finalizar o bate-papo, elas trouxeram a criação da autonomia com a força das redes sociais, onde pessoas com deficiência possuem mais de quatro milhões de seguidores, são embaixadoras de marcas famosas e conseguem dar mais visibilidade à causa. Também é mencionado o mercado e o corpo social, pois para Lilyan “ O mercado, ao meu entender, é algo que acontece no corpo social, então ele costuma trazer consigo os valores, moralidades, subjetividades e desejos. Então, talvez não tenha sido a moda que mudou e sim as pessoas, pois mudando tudo isso, você consegue mudar o mercado”. Silvana finaliza falando sobre como as parcerias ajudam a viabilizar esse meio, pois para ela, há muita pesquisa e investimento e quando se tem estrutura é possível fechar negócio e atender ao mercado.


Para se ter acesso aos produtos vendidos, é só acessar ao site www.silvanalouro.com.br ou encontra-la pelo Instagram @silvanalouro. E para ter acesso ao conteúdo gravado, acesse o @crioespm .


*Beatriz Aguiar é estudante de Jornalismo da ESPM-Rio e membro da equipe de comunicação do cRio ESPM.

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