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RIO de Mãos Limpas, Solidárias e Criativas enfrenta o COVID-19

Atualizado: Jun 12

Carlota Esteves*


Em tempos de isolamento social, com o mundo desabando por causa da Pandemia do COVID-19, o Rio de Janeiro se reinventa e se transforma em uma cidade de Mãos Limpas, Solidárias e Criativas, com possibilidade de enfrentar as dificuldades e criar empatia entre as suas diversas comunidades.


O Rio de Janeiro, privilegiado por ter sido o local escolhido para abrigar a estátua do Cristo Redentor, uma das Sete Maravilhas do Mundo, vem dividindo esse privilégio com os vários países afetados pela pandemia, cobrindo o Cristo com as cores de suas bandeiras para que também possam ser abençoados.


Esses mesmos países que, apesar das elevadas perdas sofridas, têm visto recuperações fantásticas da natureza, como no caso da Itália, com a despoluição dos canais de Veneza, ou ainda, atitudes de fraternidade, amizade, carinho e atenção entre seus habitantes, como o “Palmas do Bem” nos Estados Unidos, que acontece em hora determinada do dia, para homenagear os profissionais de saúde, em agradecimento ao trabalho por eles desenvolvido na linha de frente da pandemia; a atitude do Papa Francisco, no Vaticano, durante a Celebração da Semana Santa, com a Praça e a Basílica de São Pedro vazias, em função do distanciamento social; as Mesquitas fechadas nos países do Sudeste Asiático para evitar que as práticas comunitárias que envolvem o Ramadã, mês sagrado de jejum dos muçulmanos, possam gerar nova onda de contágio pelo COVID-19, são alguns entre tantos outros exemplos que tem ocorrido.


Dentro dessa linha de religiosidade, a Arquidiocese do Rio de Janeiro, sempre solidária, usou a criatividade para estimular a participação dos fiéis na campanha #FiqueEmCasa, intensificando a celebração da Santa Missa pela televisão, transformado os lares católicos em igrejas domésticas.


Em se tratando de uma sociedade alegre e divertida, atualmente impossibilitada de freqüentar a praia, reuniões presenciais, sejam sociais ou de trabalho, a televisão, além de ser o veiculo de socialização mais usado pelas pessoas de diferentes faixas etárias, uma vez que atinge a grande maioria dos lares cariocas, independente do seu grupo social, vem usando criatividade para produzir “Live Em Casa”, Shows em Home Office, seja de artistas consagrados, seja de anônimos criativos com possibilidade de atrair público para atrações, de bem-estar ou educativas, realizadas em suas residências. Roberto Carlos, Ivete Sangalo e Diogo Nogueira são exemplos desses shows apresentados em diferentes finais de semana. Solidariedade do setor entretenimento, que também tem sido praticada pelas Escolas de Samba cariocas, tão criativas em seus enredos e fantasias para o Carnaval, e agora transformam a linha de produção de adereços carnavalescos para confeccionarem máscaras de proteção, colaborando para preservar a saúde física, mental e financeira da população em isolamento social. Solidariedade gerando ocupação e renda, principalmente para costureiras de comunidades carentes da assistência de serviços públicos.


Assistência essa que está sendo praticada com coragem e abnegação pelos profissionais do Sistema Público de Saúde, tão desprestigiados em suas reivindicações para melhorar as condições de trabalho, salário e aperfeiçoamento técnico, entre tantas outras que fazem para atender com dignidade o público usuário do SUS que, cada vez mais, vem aumentando com a redução do nível de emprego e renda da população. Essa mesma população que, em contrapartida, vem usando a criatividade para demonstrar de diversas formas, sua gratidão a esses heróis e pratica a solidariedade, respeitando o isolamento social recomendado.


Solidariedade ampliada com a participação de Empresas e Empresários privados que colaboram na construção de Hospitais de Campanha para aumentar a capacidade da rede de atendimento da população afetada pelo Coronavirus, ampliando também a fabricação de materiais de higiene e limpeza, além de kits de proteção para profissionais de saúde que estão na linha de frente da pandemia.


Entre inúmeras iniciativas de solidariedade e criatividade que o carioca encontrou para superar esse inimigo invisível merecem destaque, por sua relevância: “Hospitais Solidários” para hospedagem dos profissionais de saúde engajados no atendimento da população hospitalizada, facilitando a proteção das suas famílias; “SOS” COVID-19, liderado por Lindália Junqueira, fundadora do Hacking.Rio e idealizadora da iniciativa que buscou soluções para reduzir a disseminação do coronavírus, contando com 42 parceiros para colaborar em três pilares: divulgação do movimento, curadoria e divulgação das soluções, inclusive mundialmente, para o público-alvo do problema que buscam resolver, soluções essas aprovadas pela curadoria do projeto.


Para superar as condições adversas da população de rua e trabalhadores carente de possibilidades de realizar a higienização requerida pela prevenção, surgiu o Projeto "Pia do Bem", entre tantas outras iniciativas de comunidades carentes para facilitar a lavagem de mãos com água e sabão, para combater o COVID-19. Unindo a criatividade de uma engenheira e a solidariedade da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) foi possível instalar pia comunitária na calçada em frente à sede da entidade, no Centro do Rio, com abastecimento regular do reservatório de 13,6 litros de água, para as pessoas lavarem as mãos.


O COVID-19, embora cruel, causando muitas perdas humanas, possibilitou um maior convívio familiar, permitindo muita reflexão sobre as alterações havidas no estilo de vida do carioca, reconhecido por sua amabilidade, além de ampliar a visibilidade dos idosos (pessoas acima de 60 anos), que representam contingente elevado da população carioca e vem demonstrando sua criatividade em se reinventar com adesão ao mundo digital, das mídias sociais as videoconferências sobre Envelhecimento Ativo, com práticas de exercícios físicos e mentais, facilitadores da Saúde com Qualidade Vida.


O “Rio de Mãos Limpas, Solidariedade e Criatividade” deve ser entendido como uma conquista do carioca para superar um inimigo invisível, mas precisa ter continuidade para a reconstrução de uma cidade mais humana, inteligente e sustentável, que respeite as diferenças e a experiência sábia de seus idosos.


*Movimento LONGEVIDADE BRASIL

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