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A retrospectiva e o futuro do Carnaval

Relembrar este período é um prazer para muitos foliões principalmente, quando o futuro da festa corre risco.


*Isabel Barcellos


Na última quarta-feira, 15 de julho, a editora E-papers realizou em seu perfil do Instagram a live de lançamento do livro “E o samba, sambou? Retrospectiva do carnaval da última década”. Conduzido por Ana Cláudia Ribeiro, sócia-fundadora e gerente da editora, o bate-papo do lançamento contou com a participação das professoras Ana Erthal e Eliana Formiga que, juntamente com o professor e diretor acadêmico da ESPM Rio, Eduardo Ariel, organizaram esta coletânea de textos produzidos por professores e alunos da instituição.


Durante a live, Ana Erthal contou que a ideia de publicar o livro surgiu a partir de uma parceria de 10 anos que a ESPM Rio manteve com a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (RIOTUR). A publicação é composta por 10 capítulos que correspondem a análise dos carnavais do ano de 2010 a 2018. Em seu início, são feitas retrospectivas dos carnavais neste período e são apresentados os resultados de pesquisas realizadas por professores do Núcleo de Pesquisa da ESPM com o apoio de alunos da instituição.


Ana Erthal contou também que algumas imagens do acervo da RioTur não podiam ser utilizadas na publicação por questões burocráticas e, por isso, optou pela ideia de compor o livro com algumas ilustrações e colagens, o que enriqueceu ainda mais o conteúdo. Neste sentido, a professora Eliana Formiga ficou à frente do projeto gráfico editorial e assim o conceito do livro foi sendo construído. Ela prezou por um livro leve, simples, que garantisse uma leitura fluida. Além disso, também prezou pela liberdade e fez questão de não pedir nada específico aos professores, os deixou livres para criar as imagens.


Participaram também desta live a professora Carolina Ficheira e o professor Marcos Machado. Carolina Ficheira fez um relato sobre seu capítulo que tratou do carnaval do ano de 2014. No começo da sua fala, ela fez uma análise dos blocos carnavalescos, cujas fantasias foram influenciadas diretamente pelas manifestações que ocorreram em junho de 2013, popularmente conhecidas como as “manifestações dos 20 centavos”. A carnavalização, em 2014, das manifestações políticas do ano anterior, passou uma mensagem importante para a sociedade como um verdadeiro ato político.


Ficheira dividiu o capítulo em duas partes: uma de cunho mais cultural e artístico; e outra explorando questões associadas ao marketing digital. Na primeira parte, discorreu sobre o assunto através de uma narrativa mais simbólica, o que pode ser visto através da sua análise sobre os últimos desfiles das escolas de samba no Sambódromo Marquês de Sapucaí que, em sua maioria, têm transmitido mensagens políticas relevantes através de seus sambas-enredo, suas fantasias e alegorias. Já na segunda parte, ela analisou o carnaval de forma mais direta e específica tal como a relação do carnaval com as marcas que patrocinam algumas escolas de samba. Carol acredita que o evento movimenta a cidade em diversas áreas e fechou sua participação na live com expectativas esperançosas para o carnaval pós pandemia. “Carnaval se transforma, se reinventa por que ele é feito por nós. Nós que somos os foliões, nós que o fazemos”.


Fechando a live, o professor Marcos Machado contou um pouco sobre o seu capítulo. Ele ficou responsável por escrever sobre o ano de 2013, onde sua abordagem se voltou para a cadeia produtiva da indústria do carnaval com enfoque nos profissionais que trabalham por trás de todo processo. Inclusive, o título de seu capítulo, “Os magos e suas cavernas encantadas: onde a realidade se transforma em fantasia”, transmite ao leitor, de forma poética, muito o que ele discorre ao longo do seu texto que apresenta o dia a dia dos trabalhadores na cidade do samba. Para Marcos, todos que participam do processo para o carnaval se realizar fazem uma verdadeira magia com as mãos.


Marcos relatou que o seu trabalho de campo durou 4 meses dentro da cidade do samba, acompanhando diariamente o processo de produção da União da Ilha do Governador, escola de samba que ele sempre torceu. Contou também que a estrutura é composta por 14 barracões onde as coisas acontecem e todos eles com uma boa estrutura. Em uma das páginas do seu capítulo, ele mostra o mapa da cadeia produtiva que ele conseguiu identificar ao final de seu estudo. Marcos se despediu da live falando um pouco sobre suas perspectivas para o futuro do carnaval, que são positivas: “A cidade do samba hoje está vazia mas, provavelmente, em breve estará vibrando novamente”.


Acesse ao conteúdo gravado no perfil do Instagram do cRio: @crioespm .

*Isabel Barcellos é estudante de Jornalismo da ESPM-Rio e membro da equipe de comunicação do cRio ESPM.

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